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BRASILIT vai parar de fazer produtos cancerígenos
O amianto é um mineral que provoca câncer do pulmão e da asbestose (endurecimento do tecido pulmonar), muito utitilizado em telhas e caixas d'águas.
Após muita pressão da sociedade, como a proibição do funcionamento de fábrica em Osasco(município da Grande São Paulo), das denúncias feito por instituições e até pressão da população francesa junto a sede, forçou a BRASILIT, líder brasileira da fabricação de telhas e caixas d´água, acaba de lançar sua primeira linha de produtos sem o mineral.
Após dois anos de pesquisa, a empresa está testando produtos que usam o plástico PVA para reforçar o cimento e dispensam o amianto. Batizada de Brasiflex, a nova linha foi lançada em novembro, nos mercados gaúcho e catarinense. Até o fim do ano, a empresa, que produz 550 mil toneladas anuais, pretende abandonar totalmente o amianto.
O grupo francês Saint-Gobain, dono da Brasilit e acionista importante da Eternit, já vinha anunciando que abandonaria o polêmico insumo desde junho de 1999. A pressão dos consumidores europeus e de militantes em todo o mundo foi apontada como um dos principais motivos.
Há anos, os ambientalistas registram casos de trabalhadores contaminados na mineração e no processamento do amianto. Os usuários também não estão imunes a riscos. "Em casas que não têm um forro que separe o ambiente interno do telhado, os moradores podem entrar em contato com a poeira que cai das telhas de amianto, trincadas pelo sol e a chuva", diz Fernanda Giannasi, uma das maiores autoridades brasileiras no assunto. Coordenadora da Rede Virtual-Cidadã pelo Banimento do Amianto e auditora fiscal do Ministério do Trabalho, ela acompanha a questão há 18 anos.
Os consumidores estão expostos ao amianto nas mais variadas situações. Além das caixas d´água e telhas onduladas, o mineral é tradicionalmente usado na confecção de forros acústicos, pisos e no recobrimento de encanamento antigos de cobre.
Ele também está presente em marcas mais baratas de alguns acessórios automotivos, como pastilha de freio, disco de embreagem e junta de cabeçotes de motor. O amianto pode ser encontrado nos locais mais insuspeitos. Giannasi já encontrou o mineral em casas de bonecas e acessórios de cozinha.
"O comércio oferece, por exemplo, uma chapa para ferver leite sem derramar, com metal numa face e papelão com amianto na outra. Ela é colocada sobre a chama do fogão para substituir o banho-maria", diz. O produto teve uma explosão de vendas durante o racionamento de energia, quando foi usado para aquecer o ferro de passar roupa, evitando que ele fosse conectado à tomada.
A boa notícia é que várias utilizações clássicas do amianto já foram abandonadas. É o caso das luvas para pegar pratos quentes, dos uniformes de mecânicos de Fórmula 1 e bombeiros, e da baquelite, plástico usado no passado para fazer telefones e cabos de panelas.
Segundo Giannasi, a outra boa notícia é que existem tecnologias alternativas para todas as situações em que o amianto é utilizado. Telhas podem ser fabricadas com PVA (como na linha Brasiflex), com uma mistura de fibras vegetais e asfalto (como as da marca Onduline), com cerâmica ou folha-de-flandres.
Nas caixas d´água, o fibrocimento, mistura de cimento com amianto, pode ser substituído por metal, fibra de vidro ou polietileno. Com frequência, estas tecnologias são mais caras que as tradicionais. As novas telhas da Brasilit, por exemplo, vão custar 10% a mais que as tradicionais, passada a fase de lançamento. A oferta de produtos alternativos, entranto, é cada vez maior, o que baixa progressivamente seus preços.
"O banimento do amianto vai se dar pela força do mercado", diz a especialista. "Quando a água chegou à cintura, as indústrias foram obrigadas a mudar seu foco de negócios." Ela insiste, porém, que o objetivo dos opositores do amianto é eliminar o produto - não as empresas. "Mas elas foram irresponsáveis por manter uma tecnologia tão nociva por tanto tempo e terão de responder por isso."
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Maiores informações no artigo
Amianto é substituido por celulose nas telhas
24/novembro/2001
Assinam:
Sociólogo José Henrique Garcia
Diretor do RedeSol - Rede Solidária de Emprego e Renda
Historiador Marcos Henrique Achado
Diretor do Instituto de Ajuda ao Aluno Carente
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Página criada em JANEIRO/05/2002
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