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     Joaquim Maria Machado de Assis
     Nasceu em 21/06/1839, na cidade de Morro do Livramento - Rio de Janeiro
     Morreu em  29/09/1908, na cidade do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro
     
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     Obras:
A Mão e a Luva
Americanas
Carolina (soneto)
Círculo Vicioso (soneto)
Dom Casmurro
Ela - 1855
Esaú e Jacó
Helena
Iaiá Garcia
Memórias Póstumas de Brás Cubas
O Alienista
Quincas Borba
Ressurreição
Soneto de Natal (soneto)


     VIDA

     Joaquim Maria Machado de Assis nasceu a 21 de junho de 1839 no Morro do Livramento, Rio de Janeiro. Seu pai era brasileiro, mulato e pintor de paredes; sua mãe era portuguesa da ilha de Açores e lavadeira. Freqüentou por pouco tempo uma escola pública, onde aprendeu as primeiras letras: aos 16 já freqüentava a tipografia de Paula Brito, onde se publicava a revista Marmota Fluminense, em cujo o número de 21 de janeiro de 1855 sai o poema "Ela": era a estréia de Machado de Assis nas letras.
     No ano seguinte, começa a trabalhar como aprendiz de tipógrafo, depois revisor, ao mesmo tempo que colabora com artigos em vários jornais da época. Em 12 de novembro de 1869 casa-se com Carolina Xavier de Novais, portuguesa de boa cultura, irmã do poeta Faustino Xavier de Novais, amigo de Machado. Em 1873 é nomeado oficial da Secretaria do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Como servidor público, teve uma carreira meteórica que lhe deu tranqüilidade financeira; já em 1892 era Diretor-Geral do Ministério da Viação.
     Em 1897 Machado é eleito presidente da recém-fundada Academia Brasileira de Letras (também chamada "Casa de Machado de Assis"), concretizando o velho sonho de reunir a elite dos escritores da época em um fechado clube literário. Após a morte de sua esposa, o romancista raramente saía; sua saúde, extremamente abalada pela epilepsia, por problemas nervosos e por uma gaguez progressiva, contribuía para seu isolamento. Morre em 1908, a 29 de setembro, em sua confortável casa do Cosme Velho.

     ESTILO
     Costuma-se dividir a obra de Machado de Assis em duas fases distintas: a primeira fase apresenta o autor ainda preso a alguns princípios da escola romântica, sendo, por isso, chamada de fase romântica ou de amadurecimento; a segunda apresenta o autor completamente definido dentro das idéias realistas, sendo, portanto, chamada de fase realista ou de maturidade. Machado foi romancista, contista e poeta, além de deixar algumas peças de teatro e inúmeras críticas, crônicas e correspondências.
     Poesia
     Na fase romântica sua poesia prende-se aos padrões de autores românticos ou mesmo de alguns árcades. São poemas sem grande preocupação formal, embora se perceba sempre uma linguagem bem cuidada; a temática é amorosa ou nacionalista, principalmente em seu livro Americanas, onde é mais perceptível a influência de Gonçalves Dias. Nessa primeira fase, Machado produziu três livros de poesias e, na fase realista, apenas um volume. Nos últimos 20 anos de sua vida, quando é mais intensa a produção da prosa realista, ele não mais escreve poemas.
     Na segunda fase Machado é um perfeito parnasiano, fazendo sonetos metrificados, rimados, numa linguagem apuradíssima, revelando uma profunda preocupação formal; exalta o conceito da "arte pela arte" e tematicamente assume uma postura filosófica e pessimista, lembrando a poesia de Raimundo Correa e Olavo Bilac. Seus sonetos mais famosos são Círculo vicioso, Soneto de natal e Carolina.
     Prosa - 1ª fase
     Machado de Assis foi um ótimo crítico literário, principalmente de sua própria obra. Portanto, nada melhor do que o próprio autor para nos dar alguma idéias sobre a evolução de seus romances e contos, da fase romântica para a fase realista:
     "Este foi o meu primeiro romance, escrito aí vão muitos anos. Dado em nova edição, não lhe altero a composição nem o estilo, apenas troco dois ou três vocábulos, e faço tais ou quais correções de ortografia. Como outros que vieram depois, e alguns contos e novelas de então, pertence à primeira fase da minha vida literária."
     Observa-se, portanto, que o próprio autor nos dá a dimensão exata das fases de sua obra, assumindo uma posição paternal ao comentar e se desculpar das obras da primeira fase, nostalgicamente relembradas como uma época de fé ingênua, ingenuidade esta perdida ao trilhar novos caminhos: "me fui a outras e diferentes páginas", ou seja, páginas realistas.
     No entanto, apesar de romanescos, os romances e contos dessa época já indicavam algumas características que mais tarde se consolidariam na obra de Machado: o amor contrariado, o casamento por interesse, uma ligeira preocupação psicológica e uma leve ironia.
     Prosa - 2ª fase
     É nesse aspecto que Machado de Assis mais nos interessa, pois à prosa realista pertencem as verdadeiras obras-primas do romancista e contista. A análise psicológica dos personagens, o egoísmo, o pessimismo, o negativismo, a linguagem correta, clássica, as frases curtas, a técnica dos capítulos curtos e da conversa com o leitor são as principais características dos textos realistas, ao lado da analise da sociedade e da crítica ao valores românticos.
     Memórias Póstumas de Brás Cubas, além de ser nosso primeiro romance realista, é uma obra inovadora, com uma série de características que distinguiriam as obras-primas machadianas. O livro é revolucionário a partir da sua própria estrutura: são memórias, mas póstumas! Ou seja, o narrador rememora sua vida após a morte, constituindo-se dessa forma, num defunto-autor - a narração é feita em primeira pessoa. Qual o objetivo de Machado de Assis ao criar um narrador que já está morto? Ora, para narrar sua vida com total isenção, Brás Cubas teria de ser totalmente desvinculado de qualquer relação com a sociedade, com a própria vida. A morte favorece um total descomprometimento, uma total sinceridade. Brás Cubas, ao iniciar a narração, já está morto, enterrado e ... comido pelos verme.
     Além das Memórias Póstumas de Brás Cubas, mais dois títulos constituem verdadeiras obras-primas do romance machadiano: Quincas Borba e Dom Casmurro.
     Quincas Borba, romance narrado em terceira pessoa, é uma análise da desagregação psicológica e financeira de Rubião, humilde professor do interior de Minas Gerais, que herda a herança de Quincas Borba, criador de um sistema filosófico chamado Humanitismo. A desagregação de Rubião - uma das raras personagens machadianas boas, honestas e decentes - até a loucura total e a miséria absoluta é, na prática, o Humanitismo em toda a sua essência (em Memórias Póstumas de Brás Cubas temos a teoria do Humanitismo). Rubião morre pobre e louco, acreditando ser Napoleão. No auge da loucura, também conhece a plena lucidez: sua última frase encerra toda a sociedade e o Humanitismo - "Ao vencedor, as batatas..."
     Dom Casmurro é um retorno de Machado de Assis à narração em primeira pessoas; Bentinho/D. Casmurro é o personagem narrador que tenta "atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência". À primeira vista, o romance parece girar em torno de um provável adultério: Bentinho é casado com Capitu; desconfia que Ezequiel, o filho, seja de Escobar, amigo do casal; o ciúme doentio de Bentinho leva à dissolução do casamento (eles se separam de fato, mas não socialmente - Capitu e o filho vivem na Europa a pretexto de um tratamento de saúde dela). Entretanto, isso serve apenas de pano de fundo para confecção de brilhantes perfis psicológicos e análises de comportamento.
     Finalmente, cumpre destacar a técnica dos capítulos curtos: neles, as idéias não se perdem, pelo contrário; as entrelinhas são valorizadas e são permitidas observações paralelas à narrativa. Assim, os romances da fase romântica apresentam um número menor de capítulos: Ressurreição tem 24 capítulos, A Mão e a Luva, 19, Helena tem 28 e Iaiá Garcia, 17. Por outro lado, Memórias Póstumas de Brás Cubas tem 160 capítulos; Quincas Borba, 201; Dom Casmurro, 148 e Esaú e Jacó, 121 capítulos. Em linha gerais, os contos da fase realista seguem as mesmas diretrizes dos romances, guardadas diferenças de um gênero para o outro. Sempre aparecem a preocupação psicológica, a fronteira entre a loucura e a lucidez, a ironia social e política. Seu conto de maior destaque é O Alienista.



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